A primeira história remonta aos meus 17 anos, durante uma corrida no Rio de Janeiro. Eu estava me preparando para correr uma meia maratona com meu irmão e minha cunhada, enquanto eles enfrentariam a maratona completa. No dia anterior, um membro do nosso grupo, que também correria a maratona, passou mal e me ofereceu seu kit de corrida, que incluía a blusa da corrida, lanches e o chip para cronometrar o tempo. Eu não tinha me inscrito oficialmente, porque estava sem dinheiro, e iria correr sem o kit, sem os acessórios e suporte oferecidos pela inscrição.
Então, decidi usar o kit que me foi oferecido e pensei, caso eu não consiga é só eu pedir um táxi e voltar pro hotel. Tá tranquilo! Mas, imagina se eu consigo. Tá doido. Que história. Sem falar que estaria me superando. Conversei com meu irmão, e ele apoiou. Sempre gostei desses desafios, e tava sentindo segurança porque tinha equipe médica espalhada em alguns pontos. Até aquele dia meu máximo em uma corrida contínua era de 24 km. Então bora, decidi, vou tentar!
A corrida começou relativamente tranquila, a vibe, a orla da praia, a quantidade enorme de corredores, as músicas no fone. Tava tudo fluindo. Mas depois do km 15, as dores começaram. Até aí nada fora do comum. A corrida continuava, a sensação de estar ali no RJ me estimulava, era minha primeira vez na cidade. Mas nesse ponto a guerra mental já tinha se instalado.
No km 21, o pensamento era que eu havia completado a meia e já podia parar. Mas continuei, e o tempo todo variando entre o pensamento de parar tendo completado a meia e desistir dessa ideia louca ou continuar e fazer história, me tornar maratonista. Então pensei, meu máximo foi 24, tenho que passar pelo menos disso. Era o tempo todo arrumando alguma desculpa pra continuar. Geralmente, criamos desculpas pra desistir. Veja o poder disso. Você pode fazer o contrário.
